Domingo na cidade
Enquanto os sinos me remetem
à lembrança de alguém que partiu,
na Rua da Imperatriz encontro a pobreza,
que o desalento à miséria uniu.
Em rostos ainda jovens vi expostos
a fome e o esquecimento.
São tantos que tudo lhes falta,
inclusive o básico alimento.
Ao dar uma esmola,
minha consciência me adverte
que esse gesto é insuficiente
para quem precisa de dignidade, cidadania,
o direito de ser gente.
Constrangida com os valores
deste mundo em que habito,
desvio a atenção para alguns pombos,
mas não calo da angústia o grito.
Transeuntes vão e vêm,
alheios à degradação,
pois são poucos os que se lembram
dos que pelas ruas estão,
põem a solidariedade em prática
e os tratam como irmãos.

Um comentário:
Que bonito... :) Que maravilhoso seria o mundo se o amor e a compaixão cavalgassem no vento, espalhando a esperança e a felicidade ao seu redor... beijinhos grandes!
Postar um comentário